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Estruturas intelectuais

por Samir Gorsky

Em sua obra Strutures Intellectuelles, Blanché trata da organização sistemática dos conceitos, principalmente com relação às estruturas proposicionais aristotélicas. Apesar do tema ser constantemente estudado, segundo o autor, seu livro “s'embarque sur une Caravelle où la Logique n'avait encore inscrit aucun passager.” Blanché propõe novas estruturas referentes a estes conceitos. Através de certas generalizações dos esquemas de proposições aristotélicas Blanché tenta mostrar que a oposição de proposições sugere uma oposição de conceitos. Do quadrado de oposições é possível construir um hexagono de proposições levando em conta, além de pares de opostor tríades de opostos que forma triângulos de oposição. Portanto podemos considerar que Blanché defende uma estrutura lógica do intelecto. [tentar encontrar puzzles sobre silogismos]. O trabalho se inicia com a problematização sobre uma estrutura essencial. Depois temos uma generalização e a reestruturação das teorias clássicas sobre os pares e quadrados de oposição. O trabalho ainda trata das proposições modais.

Uma outra obra que trata o mesmo tema, porém do ponto de vista epistemológico e não apenas lógico é The architeture of Reason, de Robert Audi. A obra pretende compreender uma teoria da racionalidade que possa englobar a razão prática e a teórica.

Razão prática e razão teórica

A maioria das obras filosóficas tratam de um destes dois ramos da teoria da razão. Há uma certa assimetria no tratamento destas duas vertentes. A razão teórica é mais estudada quando se trata da epistemologia. A razão prática é do âmbito dos estudos éticos. Para a resolução e produção de desafios deve-se ter em mente ambas vertentes. Os problemas dependem tanto de elementos como desejos, intenções e ações que são do campo da razão prática quanto de outros, como crenças, justificações e verdade. Portanto, assim como Audi, defende-se neste trabalho que, mesmo havendo teorias adequadas sobre a razão pratica ou teórica tomadas separadamente é necessário, para o desenvolvimento de uma tese acerca de problemas lógicos e filosóficos, um discurso que as integre.

““But there is another good reason to seek an epistemological informed conception of practical reason. If there is the degree of parity that I find between theoretical and practical reason, then some of problems – and resolutions – that arise in epistemology may bear on practical rationality. If, for instance, there is such parity between rational belief and rational desire, then relative to skepticism about their status, we can perhaps view the latter as no worse off than the former.” Robert Audi – Preface.

O tratamento de problemas gerais nos leva a crer que estes, para serem compreendidos e solucionados, devam ser racionais em algum sentido. A racionalidade aqui citada tem como característica básica a objetividade, pois o problema ou sua solução deve ser descrita em linguagem pública. Um problema deve ser compreendido como tal independente do agente em questão. Mesmo se a solução já seja conhecida, é preciso compreender que um agente que não tenha conhecimento de sua solução deva tomar a situação como problemática.

Grande parte dos enigmas lógicos não permitem interpretações relativistas acerca de seu entendimento e resolução. A racionalidade nestes casos é praticamente absoluta. Ninguém pode colocar em questão um teorema já provado e compreendido como tal. Nestes casos existe apenas a possibilidade de não compreensão da estrutura lógica. Pode-se dizer que não se entendeu o teorema, mas nunca que o teorema foi provado apenas para alguns seres humanos e não para outros.

Com relação à razão envolvendo problemas há uma objetividade singular. Caso não seja possível se compreender o problema, ou seja, o problema não é entendido como tal por nenhum ser humano, então a palavra problema não tem sentido e não foi bem usada. Isso não significa que o problema seja subjetivo, mas sim que é um construto racional e com uma objetividade característica. O problema não precisa ser problema em ato para todos os seres para que assim se observe a sua objetividade. Ela acontece pelo fato do problema ser possível a todos como tal.

Memória

Seja Pedro um indivíduo brasileiro e que de fato existe. Ele acredita que no passado esteve em uma determinada festa e que se lembra de ter escutado uma determinada música. Esta lembrança está aparentemente situada em sua memória. Ao encontrar com alguns amigos que também estavam nesta festa é o questionado sobre esta música ao que Pedro, através de sua memória, consegue identificá-la e pronunciar o seu nome para seus amigos. De fato, os amigos imediatamente concordam com Pedro e passam a também ter em sua memória a música citada. A crença de pedro que está baseada em sua memória é verdadeira. Isto significa que de fato aconteceu uma festa no passado em que ele estava presente e nesta festa foi tocada a música que ele tem em sua memória e que possui exatamente o nome pronunciado aos seus amigos. Este conjunto de proposições que fazem parte das crenças de pedro, porém não são frutos de descobertas ou resultado de inferencias puramente lógicas e de um ávido raciocínio. Elas foram experiênciadas e de alguma forma guardadas em sua consciência sem grande esforço intelectual por parte do agente.

Para o estudo desta seção levaremos em conta uma definição básica de memória, uma vez que não é objetivo atual fazer uma análise pormenor deste conceito. Assim deve-se levar em conta a sua definição, a análise do ato de memória, a fixação e a conservação das lembranças, a evolução das lembranças, o reconhecimento das lembranças, a importância da memória e seu papel na educação intelectual.

A memória é algo que se refere ao passado. O passado pode ser entendido como algo que não existe. Assim seria equivocado definir a memória como a faculdade de reviver o passado. Também é complicado considerar a memória como a faculdade de conservar e evocar conhecimentos adquiridos uma vez que fazer isto é restringir o seu âmbito. Sentimentos, emoções, intenções e desejos não totalmente conceituais podem igualmente ser evocados pela memória, e portanto a memória é capaz de coprrender um universo mais amplo do que apenas aquele que seja da ordem doconhecido.

Levando em conta o argumento acima definiremos memória como faculdade de conservar e evocar os estados de consciência anteriormente experimentados.

Memória como um dos instrumentos intelectuais para produção e resolução problemas e
enigmas lógicos e filosóficos

A principio levantaremos a seguinte questão: qual o papel da memória para a produção e solução dos problemas e enigmas lógicos e filosóficos? Qual o papel ocupado pela memória nas estruturas destes problemas e enigmas?

Platão sugere que a memória tenha um papel fundamental na resolução de certos problemas como podemos observar em seu diálogo Fédon. Neste texto, um escravo é convidado a resolver uma determinada questão envolvendo quadrados. A princípio o escravo não tem conhecimento da teoria que o ajudaria em sua tarefa. Platão defende que a alma antes de nascer entra em contato com as idéias. Depois do nascimento porém as idéias, tal como a alma presenciou antes do nascimento, são “esquecidas” e durante a vida elas passam a ser lembradas progressivamente. A situação descrita por Platão serve para exemplificar a sua teoria. O escravo não deve descobrir a solução, mas apenas relembrá-la, pois já esteve em contato com ela antes de nascer. Todavia é necessário que ele seja ajudado. É neste ponto que Sócrates assumirá o seu papel sendo uma espécie de professor, ou guia, que através de questões apropriadas poderá conduzir o escrevo à sua lembrança.

Ao contrário do pensamento apresentado na obra de Platão, defenderemos que a memória pode exercer um papel de semelhante ao da criação. relembrar uma estrutura ou conceito pode ser análogo ao ato de criá-lo. Em certas circunstâncias, o esforço para trazer à mente um conceito já esquecido é análogo ao de criar tal conceito. Por exemplo, se tentamos relembrar uma música sem que tenhamos mais acesso a informações básicas como autor, nome e época. Neste caso existem duas possibilidade: ou a música é bem conhecida e por isso não teremos qualquer de lembrar sua melodia uma vez que ela jamais fois esquecida. Nos concentremos porém no caso em que as únicas informações que temos é que esta música existi, já tivemos contato com ela e sabemos disso, atualmente não lembramos de sua melodia ou outro elemento musical ou identificador a ela ligado.

Imaginação e Criatividade

Uma definição básica de imaginação a descreve como a "faculdade de conservar, de reproduzir e de combinar as imagens das coisas sensíveis". (JOLIVET 1970, P. 150)

Desta definição pode-se concluir que o objeto da imaginação é aquilo que foi percebido pelos sentidos.

Pode-se dividir a manifestação da imaginação em dois tipos: imaginação reprodutora e imaginação criadora.

A imaginação repredutora, como o próprio nome indica, capacita os seres a reproduzirem estruturas reais sem haver necessáriamente a presença do objeto reproduzido. Assim imagens são evocadas de modo a simularem em algum nível a presença do objeto imaginado. Todavia, sabe-se que as imagens assim reproduzidas não são perfeitamente idênticas àos objetos reais. A mente modifica as estruturas de modo a produzir imagens apenas semelhantes dos objetos representados.

A princípio, esta espécie de imaginação pode se confundir com a memória. Porém algumas diferenças devem ser levadas em conta. A imaginação tem por referência imagens sensíveis em si e não como experiência do passado do agente em questão. Pode-se imaginar algo que não seja experienciado, mas que continua sendo uma reprodução do real. Por exemplo quando se imagina um objeto junto a outro que nunca tenham sido vistos juntos antes.

Já a imaginação criadora consiste em combinar imagens antigas para com elas formar novos conjuntos.

Ela pode ser espontânea ou inconsciente, como a que se dá nos sonhos ou pode ser ativa e refletida, como a que se dá de modo consciente. como exemplo de imaginação ativa e refletida podemos citar o artista que imagina uma nova obra.

A imaginação criadora usa basicamente três tipos de operação: a assiciação, a dissociação e a combinação.

A associação é uma analogia de características, uma comparação oportuna. Uma das habilidades que caracteriza um grande artista é a sua capacidade de associar elementos da natureza que até então não eram percebidos como inassociáveis. Os grandes nomes da história da literatura demonstraram grande facilidade acerca desta aptidão. Estas "descobertas" geram uma grande admiração e perplexidade do público como acontece por exemplo nos seguintes versos que Vitor hugo escreveu sobre a Lua crescente.

"...E a si mesma Ruth, imóvel, se perguntava,
Entreabrindo o olhar sob seus véus,
Qual deus, qual segador que do verão eterno,
Ao partir, por negligência deixaria,
Esta pequena foice de outro no campo dos céus."

"...Et ruth se demandait.
Immobile, ouvrant l'oeil à moitie sous ses voiles,
Quel Dieu, quel moisonneur de l'éternel été.
Avait, en s'en allant, négligemment jeté
Cette faucille d'or dans le champ des étoiles"

Vitor Hugo, Booz endormi. La Légende des siècles (1859)

A dissociação é a separação das partes que compões um todo. Novamente podemos descrever a figura do gênio que é então capaz de dissociar da melhor maneira as partes para que seus objetivos sejam atingidos. como exemplo podemos citar Isaac Newton que dissociou os elementos que compõe o movimento para então analisá-los apropriadamente.

A combinação

A combinação é uma soma. É juntar os elementos antes dissociados e de origens distintas para formar algo novo. As artes liberais se constituem a partir deste processo da imaginação criadora.

As ciências se beneficiam da criação imaginativa, pois grandes hipóteses ciêntíficas são antes do tudo o fruto de uma construção que imagina o funcionamento da natureza conforme um modelo, segundo um plano antecipado, que a experiência deverá posteriormente confirmar ou invalidar.



Referências

AUDI, Robert. The architecture of reason – the estructure and substance of rationality. Oxford university press. Nova Iorque. 2001

AUDI, Robert. Epistemology - a contemporary introduction to the theory of knowledge. Routledge contemporary introduction to philosophy. Routledge, Londres e Nova Iorque. 1998.

BLANCHÉ, Robert. Strutures Intellectuelles – Essai sur l’organisation systématique des concepts. Librairie philosophique J. Vrin. Paris 1969

JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. Trad. Eduardo Prado de Mendonça. Livraria Agir, rio de Janeiro 1970.

DNA computer solves logical problems, inches closer to practical use

DNA computer solves logical problems, inches closer to practical use

By Vladislav Savov posted Aug 10th 2009 12:06PM





The world of biomolecular computing is hardly a lonely place: bacteria, enzymes, and all manner of chemicals have already been used to perform basic automated tasks. DNA computers are arguably the most advanced organic form of "autonomous programmable computing devices," with one already boasting a pretty tight game of Tic-Tac-Toe. The latest, put together by the Israeli Weizmann Institute, advances things with its ability to correctly respond to problems of logic. By feeding molecular rules and facts into the system, the researchers are able to program DNA strands to produce yes and no answers to basic questions. Programming is said to be technically identical to that used in electronic devices, with a robot compiler converting the programming language into molecular-level information. The ultimate aim of the project is to produce miniscule disease-fighting bots that can battle infections within the human body -- provided the DNA-programming drones don't go all Yul Brynner on us.

[Thanks, Karl]
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O trabalho

"Quando trabalho, vivo
momentos de angústia, mas quando não trabalho sinto um
tédio sombrio e a consciência me espicaça. A vida de trabalho
não é mais divertida do que a outra, mas pelo menos
não se sente o tempo passar."

Claude Lévi-Strauss

Lévi-strauss, o poder do mito

Morto no sábado 31, em Paris, à véspera de completar 101 anos, Claude Lévi-Strauss foi um dos maiores pensadores do século findo. Concluída a descoberta evolucionista de Charles Darwin, nos anos oitocentos, e tendo Karl Marx esquadrinhado o funcionamento das sociedades industriais, Lévi-Strauss uniu a linguística e a antropologia para detectar as estruturas invisíveis que determinam a vida social. O estruturalismo foi a marca de seu pensamento. Para ele, o real tinha uma construção invisível, que era preciso decifrar.

Nascido em 1908 na Bélgica, de pais franceses de origem judaica, Lévi-Strauss concebeu grandes sínteses intelectuais inspirado no modelo das partituras de música, lembra François Dosse em História do Estruturalismo. Descendente de um bisavô violinista, pai e tios pintores, passou a adolescência pelos antiquários até que a família comprou uma casa nas montanhas de Cévennes. Encantado a ponto de ali fazer caminhadas de quinze horas, ele percebeu que a arte não era mais sua paixão exclusiva. A natureza o acompanhava.

Por trás de um violino bem tocado, Lévi-Strauss compreendia haver o suor matemático, a estrutura de uma combinação de ritmo e sons. Para um fenômeno natural, impunha-se uma explicação ainda mais complexa. Embora inspirado pela arte, ele construiu sistemas lógicos para explicar o mundo da natureza e da cultura. Reivindicava exatidão para as ciências humanas.

As realidades o deixavam inquieto. Leu Marx aos 17 anos, O Capital fascinou-o. Em 1928 foi eleito secretário-geral da Federação dos Estudantes Socialistas. Era um pacifista, mas a guerra chegou à Europa, a sensação de derrota prevaleceu sobre a do engajamento e ele nunca mais pisou no caixote das reivindicações. Nos anos 70, disse ter descoberto ser perigoso “encerrar as realidades políticas no quadro de ideias formais”. Em vez de olhar para o futuro, escolheu investigar o passado, em busca de entender por que nos tornamos o que somos.

Em depoimento ao jornal italiano Corriere Della Sera na quarta-feira 4, Bernard-Henri Lévy, conhecido pela militância no Maio de 68 francês, lembra o grande escritor que havia em Lévi-Strauss, e também o gênio sem o qual pensadores como Michel Foucault, Gilles Deleuze ou Giorgio Agamben jamais existiriam. Mas faz uma ressalva. Ele deixara de vivenciar por inteiro a intelectualidade ao abdicar do direito, quiçá do dever, de intervir pela mudança social.

O raciocínio causa estranhamento, já que a intervenção de Lévi-Strauss em seu tempo fora de outra ordem, holista, unindo várias áreas do saber humano em busca de compreender as organizações sociais. Seus antecessores detectavam em um grupo humano o que lhe era peculiar, não universal. Era um tempo em que as noções de primitivo causavam um interesse espetacular nos modernos, interessados em distinguir suas linhagens daquelas ditas arcaicas. Lévi-Strauss inseriu o selvagem no jogo da civilização e o assemelhou de forma impressionante a todos os outros homens. E este pensamento não seria político também?

Ele estudou filosofia e se tornou apto a ensinar em 1930, “como um zumbi”. Quando, em 1934, o diretor da Escola Normal Superior lhe apresentou a candidatura a professor da nascente Universidade de São Paulo, Lévi-Strauss não hesitou. O diretor Célestin Bouglé lhe dissera que, durante os fins de semana, o filósofo poderia encontrar índios nos subúrbios de São Paulo, algo que já não correspondia à realidade. Aqui chegado, ele observaria a gente comum e a intelectualidade por dois anos, até que, seguro em economias, fosse aos nhambiquaras pela Expedição do Norte, em 1938.

Anos depois, em 1955, ele escreveu Tristes Trópicos para contar essa e muitas outras experiências, num relato de viagem híbrido, que incorporava à narrativa fatos encadeados pelo livre exercício da memória. “Odeio as viagens e os exploradores” são as primeiras palavras de seu livro, monumental pela excelência da escrita, inusual ao fugir das questões antropológicas por ele discutidas naquele momento, envolvendo mito e parentesco. Por muitos anos, essa narrativa foi armazenada nas seções de guias turísticos das livrarias, elas que se habituaram ao exótico como eterna celebração.

“Sua observação do Brasil no livro é muito singular”, crê a doutora em História Social Luciana Murari, autora de Natureza e Cultura no Brasil. “Para os estudiosos da vida intelectual brasileira, Tristes Trópicos reflete, inconscientemente, algumas das percepções que os próprios letrados brasileiros tinham ao deparar com as paisagens lúgubres do interior, a natureza conspurcada, o sentido de comunidade corrompido.”

Ao relembrar o Brasil, o livro deplora as elites intelectuais em passagens nas quais elas se autoproclamam peculiares, enquanto ele as vê típicas. Para Lévi-Strauss, o Brasil esmagado pela inação, pelo desrespeito à sua grandeza primitiva, era único, por exemplo, nas incríveis variações de verde das folhagens de Ubatuba.

Não teria sido feita no Brasil sua revolução intelectual, mas nos Estados Unidos, para onde se mudou, iniciada a perseguição nazista em 1939. Ali foi aconselhado a mudar seu nome para Claude L. Strauss, a fim de evitar a confusão com a marca de calças. “É raríssimo passar-se um ano sem que eu receba, em geral da África, uma encomenda de jeans”, dizia. Ele, que descobrira nas relações de parentesco um padrão de universalidade, encontrou-se no país com outro exilado, Roman Jakobson, que adotara a ideia de sistema para detectar uma regularidade em todas as línguas. Do desenvolvimento conjunto dessas ideias debatidas nasceria a antropologia estrutural, expressão que intitularia seu clássico de 1958.

Durante sua longa vida, Lévi-Strauss suscitou polêmica, e também entusiasmos, a ponto de o treinador da seleção de futebol da França anunciar, nos anos 1960, uma organização estruturalista de sua equipe, a fim de melhorar os resultados. Estruturar saía da academia para ganhar o sentido de desvendar. Mas, se os sábios desvendam, cutucam feridas. Por muitos anos, o intelectual que mais jeans ganhara em vida se viu responsável pela pecha de excessivamente críticos atribuída aos franceses.

Por Roseane Pavan

The remarkable legacy of Claude Levi-Strauss

He died last week, a few days shy of his 101st birthday. He was lauded by statesmen and academics across the world. What made Claude Levi-Strauss one of the most influential thinkers of the twentieth century?

Writing for the New York Review of Books in 1963, Susan Sontag – who was no intellectual slouch herself – placed Claude Levi-Strauss in the company of Jean-Paul Sartre and Andre Malraux when declaring him one of the most interesting intellectual figures in France. It was a comparison Sontag had been obliged to make, because while Sartre and Malraux were by then giant names in transatlantic highbrow society, Levi-Strauss remained all but unknown outside his homeland. His masterpiece, Tristes Tropiques, had become an instant bestseller on publication in France in 1955; the book’s translation into English and its subsequent release in the United States made hardly a dent in the market.

Still, the US – and the rest of the world – eventually caught on. After Levi-Strauss’s death at the age of 100 last week, American newspapers were unanimous in their estimation of his influence. “[No] matter what one thinks of Mr. Levi-Strauss and his theories,” the New York Times observed, “it is hard today to undertake the serious study of anthropology, ethnology, sociology, philosophy or linguistics without at least acknowledging him or trying to debunk him.”

Levi-Strauss, who studied philosophy and law at the Sorbonne in Paris, will probably be remembered best for how he altered Western views of the “primitive”. Much of his work was dedicated to the premise that there is little difference between the thought processes of a so-called “savage” in the Amazon rainforest and, say, a stockbroker on Wall Street. These ideas were developed after Levi-Strauss had left philosophy and law for the full-time study of anthropology, when he was on an extended field trip amongst the indigenous tribes of Brazil. It was also in Brazil that the seeds for his theory of structuralism – the search for common cognitive patterns in all forms of human activity – were sown.

Tristes Tropiques, the book that made Levi-Strauss famous in France, was followed by La Pensee Sauvage (1962) and the four-volume Mythologiques (1971), both of which served to cement his international reputation. But it’s ironically the earlier work that appears to have become synonymous with his legacy. Completed fifteen years after he left Brazil, Triste Tropiques is set against the backdrop of Levi-Strauss’s encounters with four Amazonian tribes – one of which, the Tupi-Kawahib, had never seen a white man before – and is a poetic meditation on everything from spirituality to art and the nature of the modern city. It is a marriage of serious academic inquiry and sensitive literary memoir, an interlacing of the all-encompassing public with the intensely self-reflective private.

In 1963, Susan Sontag was saying something new when she wrote: “Tristes Tropiques is one of the great books of our century. It is rigorous, subtle, and bold in thought. It is beautifully written. And, like all great books, it bears an absolutely personal stamp; it speaks with a human voice.”

Today, less than a week after Levi-Strauss’s death, those sentiments are common knowledge.

By Kevin Bloom

in The Daily Maverick: http://www.thedailymaverick.co.za/article/2009-11-05-The-remarkable-legacy-of-Claude-Levi-Strauss
 
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