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O problema da omissão ou ausência de dados no processo de pesquisa científica

Anpof 2012

Samir Gorsky

Abstract:  É comum encontrarmos a ideia de que a informação é constituida dos data mais seus significados. Segundo Floridi (Floridi:2010), a compreensão da natureza dos data pode ser dada através da compreensão dos modelos nos quais esses data são apagados, distorcidos ou perdidos. Suponha um livro escrito com símbolos que não sabemos como interpretar. Em um determinado momento os símbolos que constituem esse livro são apagados até que sobrem apenas páginas em branco. Mesmo nesse caso essas páginas em branco constituem data. A ausência de sinais percebidos pode ser considerado um dado. Essa ausência é informativa desde que seja percebida em contraste com a possibilidade da presença de sinais. Para que haja um destruição efetiva de data é necessário um cenário sem distinção entre a presença e ausência dos dados, ou seja, deve-se eliminar todas as possíveis diferenças existentes entre a presença e ausência dos dados. Portanto, um dado pode ser visto como falta de uniformidade. O presente trabalho tem por objetivo analisar a importância de data negativos ou que sejam produtos da ausência de sinais como fonte de informação no processo de pesquisa científica.

P.F. STRAWSON (1919-2006) - Obtuary

El eminente filósofo británico sir Peter Frederick Strawson fallecióel pasado 13 de febrero, en Inglaterra, a los 86 años de edad. De 1968 a 1987, ocupó la Cátedra Universitaria de Metafísica (Waynflete Professorship) en la Universidad de Oxford, y a lo largo de su carrera fue profesor invitado de otras importantes universidades como Duke, North Carolina, Prin:eton, Columbia, Munich y el Collége de France, además de haber visitado el Instituto de Investigaciones Filosóficas al menos una vez. Sin duda, Strawson fue uno de los filósofos más importantes del siglo XX. En 1950, a los 31 años, publicó su trabajo "On Referring", en el que criticaba la teoría russelliana de las descripciones definidas y con el cual se situó como uno de los filósofos más prominentes de su época. Destacan sus libros Individuáis (1959) y The Bounds of Sense (1966), así como su colección de ensayos Freedom and Resentment and Other Essays (1960). En el primero, Strawson pretende defender un proyecto de metafísica descriptiva y busca encontrar las características generales y estructurales del esquema conceptual que nos permite pensar en cosas particulares. En The Bounds of Sense realizó una de las más influyentes interpretaciones de la Crítica de la razón pura de Immanuel Kant, en la que además pretendía investigar los límites de lo que podemos concebir o de lo que nos es inteligible. Y en "Freedom and Resentment", ensayo que da título al volumen, presentó argumentos para demostrar que era imposible, por cuestiones prácticas, creer en el determinismo.

Teoria dos enigmas

Para falarmos de ``enigma'' no sentido mais geral do termo, precisamos refletir acerca dos conceitos de ``linguagem'' e ``teoria'' nos sentido generalizados. Assim o termo ``enigma'' designaria não só problemas que podem ser comunicados pela linguagem verbal, mas também situações e sentimentos meta-comunicativos que envolvessem conteúdos total ou parcialmente conscientes.

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Abdução

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Por Samir Gorsky

INTROCUÇÃO

Abdução pode ser definido como um tipo de raciocínio ou inferência pela melhor explicação. Neste caso, busca-se a hipótese que melhor se encaixa na argumentação e não uma conclusão do raciocínio que seja válida. Charles S. Peirce é a principal referência para a definição original deste conceito. Sua meta principal foi estabelecer uma semiótica para o pensamento e a linguagem (cf. [PEI] e [ALI]) e a questão central de sua pesquisa filosófica foi: como estabelecer uma estrutura lógica que pudesse explicar a possibilidade de raciocínios sintéticos a priori? Bastante influenciado pela filosofia kantiana, Peirce retendeu extender suas categorias e assim adequar e generalizar a lógica.

"According to Kant, the central question of philosophy is `How are synthetical judgements a priori possible?' But antecedently to this comes the question how synthetical judgements in general, and still more generally, how synthetical reasoning is possible at all. When the answer to the general problem has been obtained, the particular one will be comparatively simple. This is the lock upon the door of philosophy." (CP, 5.348, quoted in Hookway (1992), page 18).



Referências

[ALI] ALISEDA, Atocha. Abduction as epistemic change: Charles S.Peirce and epistemic theories in artificial intelligence (em http://user.uni-frankfurt.de/~wirth/texte/tt.htm)

[PEI] PEIRCE, C.S.(1931-1958) Collected Papers (CP), vols 1-8, C. Hartshorne, P. Weiss and A.W. Burks (eds). Cambridge, MA: Harvard University Press.

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Citação - Aristóteles: Metafísica

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there are many things to which not all the principles pertain. For how can a principle of change or the nature of the good exist for unchangeable things, since everything that in itself and by its own nature is good is an end, and a cause in the sense that for its sake the other things both come to be and are, and since an end or purpose is the end of some action, and all actions imply change? So in the case of unchangeable things this principle could not exist, nor could there be a good itself. This is why in mathematics nothing is proved by means of this kind of cause, nor is there any demonstration of this kind−'because it is better, or worse'; indeed no one even mentions anything of the kind. And so for this reason some of the Sophists, e.g. Aristippus, used to ridicule mathematics; for in the arts (he maintained), even in the industrial arts, e.g. in carpentry and cobbling, the reason always given is 'because it is better, or worse,' but the mathematical sciences take no account of goods and evils

Livro Gama

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Idéias

...

por Samir Gorsky


O que é o tempo?

1 - O tempo é algo muito abstrato, para alguns essa pergunta não teria sentido, mas para mim ela é fundamental. O tempo é algo definido pelo fato de termos memória, se não tivéssemos memória jamais saberíamos o que é o tempo, todavia mesmo tendo memória posso dizer que ninguém sabe ao certo o que é o tempo, mas sabemos que é algo denominado por essa palavra, isso já é o bastante.

2 – Defendo que há uma relação bem interessante entre tempo (seus elementos: passado, presente e futuro) e a modalidade da seguinte forma: Tudo que está no passado é necessário, tudo que está no futuro é contigente. Não sei ainda se cabe dentro dessa posição afirmar que ao presente devo relacionar tudo como sendo contigente ou necessário. O presente é o atual.

3 – Continuação do raciocínio que está faltando na demonstração dada.
Tomemos a reta AD de modo que esta seja o raio de um círculo DEF, tendo como centro desse círculo o ponto A [Postulado 3].
O ponto A pertence à extremidade de ambas as retas (AB, AD), como conseqüência dos passos anteriores.
A partir do ponto E, onde o círculo DEF com centro em A e raio AD se intersecta à reta AB, tracemos a reta AE. [postulado 1].
“Um círculo é uma figura plana encerrada por uma linha, de modo que são iguais todas as retas que alcançam tal linha, a partir de um ponto dentre aqueles situados na figura.” [ Definição 15].
A reta C é igual à reta AD (como foi dito no início da demonstração), a reta AD, por sua vez, é igual à reta AE [Definição 15]. A reta C, portanto, é igual à reta AE. [Axioma 1]. Dados a definição 15 e o axioma 1 acima temos que cada uma das retas C e AE são iguais a AD.
Logo, como a reta AE, que é igual a C, está situada na reta AB de modo a recortar esta ultima temos que: Dadas duas linhas retas desiguais, é possível recortar da maior delas uma linha reta que seja igual a menor.

4 – Suponhamos duas sociedades onde, em ambas, a felicidade dos seus integrantes pode ser quantificada.
O índice geral de felicidade em cada uma das sociedades é 50.
Suponhamos agora as duas seguintes divisões dos índices de felicidade em cada sociedade.
a) Sociedade 1 dividia em duas partes.
Parte um: índice de 40.
Parte dois: índice de 10.

b) Sociedade 2 dividida em duas partes.
Parte um: índice de 25.
Parte dois: índice de 25.

Qual das duas sociedades será mais feliz em geral, uma vez que, o índice total de felicidade será 50 nos dois casos?

5 – Por que no dicionário de filosofia não há o termo “criatividade”?

6 – Quando digo que a mente trabalha oscilando entre dois pólos, pode ser que essa afirmação é conseqüência de uma oscilação entre o hemisfério direito e o hemisfério esquerdo do célebro (célebro está escrito assim intencionalmente).

7 – Fibonate não vale para os galhos de pinheiro.

8 – O que não dá certo em um caso pode dar em outro o que justifica a persistência.

9 – Podemos definir uma espécie de “nível lingüístico” a partir da metalinguagem. Este nível representa a quantidade de porquês que foram respondidos.

10 – Um professor deixa a sua pasta em cima de sua mesa e sai, depois chega o aluno, vê a pasta em cima da mesa do professor (no primeiro dia de aula, e este aluno nunca tinha visto o professor antes) e induz que o professor já chegou.
Esse fato não ocorre isoladamente, para termos uma idéia do que acontece teríamos que prestar atenção às crenças tanto culturais quanto divergentes que produziram essa situação. Mas nada impediria que tal indução ocorresse puramente pela imaginação criadora, supondo, por exemplo, que tal aluno não conhecesse as regras daquela cultura na qual existe uma mesa para o professor. Se dissermos que isso é improvável, estaremos tomando uma posição cultural que informa esta crença.
Entretanto, reduzir ao cultural o conjunto de nossas crenças não é o que se pretende quando analisamos uma questão como esta.

11 – Potencialmente qualquer pessoa pode ser qualquer coisa.

12 – Para entender a tese que contrapõe a tese murileana ao comentadores é preciso pensar que cada comentador ascende um nível de metalinguagem.

13 – É muito interessante a possibilidade do próprio aluno criar as regras da escola.

14 - ...

15 – Comigo aconteceu diferente com que acontece normalmente com a maioria das pessoas, ao invés de 010 foi 101.

16 – Ao dar aulas é importante que o professor apague sempre o quadro.

17 – A racionalidade é má, porém para a racionalidade não existe maldade. Em todos os mundos possíveis o homem acaba se destruindo e para a razão isso não é nem bom nem mau, a razão não quer saber da ética (paradoxal por natureza) e sim da solução de problemas não aporéticos. A razão ajuda o ser humano a descobri o que quiser e imaginar. O instinto o faz usar as suas descobertas.

18 – Se um dia eu for professor farei um questionário onde as respostas corretas serão aquelas que diferem de todas as outras.

19 – Os temas mais interessantes para mim são:
a) O tempo
b) Identidade
c) Modalidade
d) Jogos

20 –

- Cara, você não vai acreditar.
- O que foi?
- Eu encontrei.
- Encontrou o que?
- Um belíssimo tango de 1967.
- Você gosta de tango?
- Claro... o tango representa as emoções de qualquer ser humano.
- Pra mim um tango pode até ser bom, dois ainda vai, mais não consigo escutar três em um mesmo dia.
- Para gostar de tango tem que haver um sentimento profundo, uma paixão. Você não liga para isso.
- Mas não tenho problema com tango e sim com tangos. Posso escutar e admirar tranqüilamente um tango, mas mais do que isso não dá.
- Posso então mostrar-lhe o “Bandala triste” de Raul?
- Claro porque não.
- .........?
21 –

Homens pelos quais a parte inteligente da nação lamenta quando morrem; que tem ou merecem um funeral público; que tendem a aparecer como personagens históricos em gerações futuras. Homens que atingem uma posição obtida apenas por 250 de cada milhão de pessoas ou 1 em cada 4000.


22 – De acordo com a filosofia de Leibniz, se Deus e as mônadas seguem em seus pensamentos as mesmas regras lógicas e ambos escolher de acordo com o melhor então podemos concluir que as mônadas pensam o que Deus pensa. Como deus é infinito seu pensamento determina o melhor para infinitas coisas. Neste sentido é natural considerarmos que Deus determina todos os acontecimentos e que exista ainda a liberdade. Essa razão ou regra racional, válida tanto para Deus como para nós, nos faz escolher a melhor das opções, seja vestir uma blusa branca ou vermelha, fazendo-nos agir conforme as determinações de Deus: “… pois elas [as ações voluntárias] não seriam praticadas se não se quisesse praticá-las. Também sua previsão e pré-determinação não são absolutas, mas supõe a vontade: se for certo que serão praticadas, não é menos certo que se quererá praticá-las. Essas ações voluntárias, e suas conseqüências, não acarretarão o que quer que se faça, queira-se ou não praticá-las, mas porque se fará, e porque se quererá fazer, o que conduz a elas. E isso está contido na previsão e na pré-determinação, sendo, de fato, sua razão. E a necessidade de tais acontecimentos é chamada condicional ou hipotética, ou ainda necessidade de conseqüência, porque supõe a vontade e os outros requisitos…” (Leibniz; Ensaios de Teodicéia).
23 – Eu visitei lugares escondidos de mim mesmo. É fácil demonstrar que não sou um idiota. Caso não consiga, então terei demonstrado que é possível um idiota enganar um suposto gênio. O certo é “não desisto” e “morrerei tentando”. O resto é conto para passar o tempo e fugir do tédio que é “existir sem saber o que isso significa”. No meio do nada o mais interessante é ser livre (para poder escolher entre uma falta de sentido e outra). Pouca coisa não é uma ilusão, mas jamais saberemos isso.
P. S. Mais pensamentos em metafísica sincera nos espera do outro lado da ponte (se é que é uma ponte).

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Respostas corretas

...

Por Samir Gorsky

Por que ao darmos a solução para determinados enigmas conseguimos compreender imediatamente que a resposta está correta sem ao menos dar uma conferida?

"Of course, the questions do not necessitate the right
answers, which means that the intended answer is in a sense conjectural. But if
the puzzle is a good one, the natural answer is obvious once the right question
has been asked. Here is an example (Sloane and MacHale, 1996, p. 32):
A man walked into a bar and asked the barman for a glass of water. They had never
met before. The barman pulled a gun from under the counter and pointed it at the
man. The man said “Thank you” and walked out.Why should that be so?"

Hintikka, Jaakko. Socratic Epistemology. P. 56

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Filosofia Analítica

...

Por Samir Gorsky


Definição e características: A clareza e a sobriedade; a análise lingüística; o recurso aos argumentos; a precisão, a minúcia e o caráter explícito das teses e dos argumentos; a recusa de reduzir a filosofia à história da filosofia, a filosofia não é um discurso teórico que vem juntar-se aos outros, mas uma atividade de clarificação. “Um filósofo analítico «típico» (na verdade, um «protótipo» do filósofo analítico) seria um filósofo como Carnap, que adere a determinadas doutrinas, no interior de um determinado domínio, utilizando determinados métodos.” (RECANATI, François; Pela Filosofia Analítica. 2004.)

Vertentes: Empirismo Lógico, Neopragmatismo, filosofia lingüística (Inglaterra), neopositivismo, Lógica.

Nomes: Williard van Quine, Nelson Goodman (07/08/1906 – 25/11/1998), M. White, Rog Wood Sellars, Ayer, Karl Popper, Tarski, Kripke, Carnap, Frege, Kuhn, Feyerabend, os lógicos polacos da escola de Lvov-Varsóvia, Hilary Putnam, Rawls, Schlick, Reichenbach, David Lewis.

Países: Estados Unidos, Inglaterra, Países escandinavos, Finlândia, Austrália.

Instituições: SPFA (sociedade portuguesa de filosofia analítica), SIFA (Società Italiana di Filosofia Analítica), SEFA (Sociedad Española de Filosofía Analítica), ESAP (European Society for Analytic Philosophy).

Paginas da WEB:

http://pwp.netcabo.pt/0154943702/sfa.html
http://pwp.netcabo.pt/0154943702/spfaestatutos.htm
http://sifa.unige.it/
http://www.hcrc.ed.ac.uk/~john/GoodmanBib.html
http://criticanarede.com/filos_pelafil.html

Referências:
RECANATI, François; Pela Filosofia Analítica. 2004. Texto originalmente publicado em Crítica: Revista de Pensamento Contemporâneo, 10 (Maio de 1993).

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A teoria da informação e o enigma da esfinge

...

por Samir Gorsky

Que tipo de raciocínio deve ser usado para se resolver um problema tal qual o enigma da esfinge?
Em termos culturais o enigma pode representar muito mais do que uma simples questão. No caso do enigma da esfinge,
representa a salvação para a cidade de Tebas. O enigma é um divisor de águas dentro do enredo da
tragédia Édipo rei de Sófocles. Sua resolução marca a transição entre a problematização e a resolução dos problemas
produzidos no enredo. A partir dela é que Édipo pode finalmente consumar o seu destino sendo considerado um herói por
ter vencido tal desafio e por ter salvado a cidade. Nomeado rei, tem que se casar com a sua prórpria mãe e por fim
descobrir que não foi possível fugir do destino que as moiras haviam traçado para ele.

O conhecido enigma da esfinge pode ser formulado da seguinte maneira:
"Qual o animal que de manhã anda com quatro patas, à tarde com duas e à noite com três?"
A solução é "o ser humano", pois quando é um bebê (de "manhã") engatinha (4 "patas"), em sua juventude (à tarde)
anda em pé (2 "patas") e na velhice (à "noite") precisa do apoio de uma bengala (três "patas")

Para se resolver este enigma é preciso fazer uso da metáfora ou aceitá-la. Dada a explicação a resolução
torna-se aceitável e correta. Sabe-se porém que, dificilmente, uma máquina seria capaz de computar tal solução.
Assim, é possível construir máquinas que processem metáforas e analogias de tal modo que
possam resolver enigmas como o da esfinge?

Para responder positivamente à pergunta acima é necessário fazer um breve sobrevoo acerca da teoria da informação.

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La Loteria en Babilonia

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Mais um dos contos espetaculares de Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges (Ficciones - 1944)

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Como todos los hombres de Babilonia, he sido procónsul; como todos, esclavo; también he conocido la omnipotencia, el oprobio, las cárceles. Miren: a mi mano derecha le falta el índice. Miren: por este desgarrón de la capa se ve en mi estómago un tatuaje bermejo: es el segundo símbolo, Beth. Esta letra, en las noches de luna llena, me confiere poder sobre los hombres cuya marca es Ghimel, pero me subordina a los de Aleph, que en las noches sin luna deben obediencia a los Ghimel. En el crepúsculo del alba, en un sótano, he yugulado ante una piedra negra toros sagrados. Durante un año de la luna, he sido declarado invisible: gritaba y no me respondían, robaba el pan y no me decapitaban. He conocido lo que ignoran los griegos: la incertidumbre. En una cámara de bronce, ante el pañuelo silencioso del estrangulador, la esperanza me ha sido fiel; en el río de los deleites, el pánico. Heráclides Póntico refiere con admiración que Pitágoras recordaba haber sido Pirro y antes Euforbo y antes algún otro mortal; para recordar vicisitudes análogas yo no preciso recurrir a la muerte ni aun a la impostura.

Debo esa variedad casi atroz a una institución que otras repúblicas ignoran o que obra en ellas de modo imperfecto y secreto: la lotería. No he indagado su historia; sé que los magos no logran ponerse de acuerdo; sé de sus poderosos propósitos lo que puede saber de la luna el hombre no versado en astrología. Soy de un país vertiginoso donde la lotería es parte principal de la realidad: hasta el día de hoy, he pensado tan poco en ella como en la conducta de los dioses indescifrables o de mi corazón. Ahora, lejos de Babilonia y de sus queridas costumbres, pienso con algún asombro en la lotería y en las conjeturas blasfemas que en el crepúsculo murmuran los hombres velados.

Mi padre refería que antiguamente -¿cuestión de siglos, de años?- la lotería en Babilonia era un juego de carácter plebeyo. Refería (ignoro si con verdad) que los barberos despachaban por monedas de cobre rectángulos de hueso o de pergamino adornados de símbolos. En pleno día se verificaba un sorteo: los agraciados recibían, sin otra corroboración del azar, monedas acuñadas de plata. El procedimiento era elemental, como ven ustedes.

Naturalmente, esas "loterías" fracasaron. Su virtud moral era nula. No se dirigían a todas las facultades del hombre: únicamente a su esperanza. Ante la indiferencia pública, los mercaderes que fundaron esas loterías venales comenzaron a perder el dinero. Alguien ensayó una reforma: la interpolación de unas pocas suertes adversas en el censo de números favorables. Mediante esa reforma, los compradores de rectángulos numerados corrían el doble albur de ganar una suma y de pagar una multa a veces cuantiosa. Ese leve peligro (por cada treinta números favorables había un número aciago) despertó, como es natural, el interés del público. Los babilonios se entregaron al juego. El que no adquiría suertes era considerado un pusilánime, un apocado. Con el tiempo, ese desdén justificado se duplicó. Era despreciado el que no jugaba, pero también eran despreciados los perdedores que abonaban la multa. La Compañía (así empezó a llamársela entonces) tuvo que velar por los ganadores, que no podían cobrar los premios si faltaba en las cajas el importe casi total de las multas. Entabló una demanda a los perdedores: el juez los condenó a pagar la multa original y las costas o a unos días de cárcel. Todos optaron por la cárcel, para defraudar a la Compañía. De esa bravata de unos pocos nace el todopoder de la Compañía: su valor eclesiástico, metafísico.

Poco después, los informes de los sorteos omitieron las enumeraciones de multas y se limitaron a publicar los días de prisión que designaba cada número adverso. Ese laconismo, casi inadvertido en su tiempo, fue de importancia capital. Fue la primara aparición en la lotería de elementos no pecuniarios. El éxito fue grande. Instada por los jugadores, la Compañía se vio precisada a aumentar los números adversos.

Nadie ignora que el pueblo de Babilonia es muy devoto de la lógica, y aun de la simetría. Era incoherente que los números faustos se computaran en redondas monedas y los infaustos en días y noches de cárcel. Algunos moralistas razonaron que la posesión de monedas no siempre determina la felicidad y que otras formas de la dicha son quizá más directas.

Otra inquietud cundía en los barrios bajos. Los miembros del colegio sacerdotal multiplicaban las puestas y gozaban de todas las vicisitudes del terror y de la esperanza; los pobres (con envidia razonable o inevitable) se sabían excluidos de ese vaivén, notoriamente delicioso. El justo anhelo de que todos, pobres y ricos, participasen por igual en la lotería, inspiró una indignada agitación, cuya memoria no han desdibujado los años. Algunos obstinados no comprendieron (o simularon no comprender) que se trataba de un orden nuevo, de una etapa histórica necesaria... Un esclavo robó un billete carmesí, que en el sorteo lo hizo acreedor a que le quemaran la lengua. El código fijaba esa misma pena para el que robaba un billete. Algunos babilonios argumentaban que merecía el hierro candente, en su calidad de ladrón; otros, magnánimos, que el verdugo debía aplicárselo porque así lo había determinado el azar... Hubo disturbios. hubo efusiones lamentables de sangre; pero la gente babilónica impuso finalmente su voluntad, contra la oposición de los ricos. El pueblo consiguió con plenitud sus fines generosos. En primer término, logró que la Compañía aceptara la suma del poder público. (Esa unificación era necesaria, dada la vastedad y complejidad de las nuevas operaciones.) En segundo término, logró que la lotería fuera secreta, gratuita y general. Quedó abolida la venta mercenaria de suertes. Ya iniciado en los misterios de Bel todo hombre libre automáticamente participaba en los sorteos sagrados, que se efectuaban en los laberintos del dios cada sesenta noches y que determinaban su destino hasta el otro ejercicio. Las consecuencias eran incalculables. Una jugada feliz podía motivar su elevación al concilio de magos o la prisión de un enemigo (notorio o íntimo) o el encontrar, en la pacífica tiniebla del cuarto, la mujer que empieza a inquietarnos o que no esperábamos rever; una jugada adversa: la mutilación, la variada infamia, la muerte. A veces un solo hecho cl tabernario asesinato de C, la apoteosis misteriosa de B--era la solución genial de treinta o cuarenta sorteos. Combinar las jugadas era difícil; pero hay que recordar que los individuos de la Compañía eran (y son) todopoderosos y astutos. En muchos casos, el conocimiento de que ciertas felicidades eran simple fábrica del azar, hubiera aminorado su virtud; para eludir ese inconveniente, los agentes de la Compañía usaban de las sugestiones y de la magia. Sus pasos, sus manejos, eran secretos. Para indagar las íntimas esperanzas y los íntimos terrores de cada cual, disponían de astrólogos y de espías. Había ciertos leones de piedra, había una letrina sagrada llamada Qaphqa, había unas grietas en un polvoriento acueducto que, según opinión general, daban a la Compañía; las personas malignas o benévolas depositaban delaciones en esos sitios. Un archivo alfabético recogía esas noticias de variable veracidad.

Increíblemente, no faltaron murmuraciones. La Compañía, con su discreción habitual, no replicó directamente. Prefirió borrajear en los escombros de una fábrica de caretas un argumento breve, que ahora figura en las escrituras sagradas. Esa pieza doctrinal observaba que la lotería es una interpolación del azar en el orden del mundo y que aceptar errores no es contradecir el azar: es corroborarlo. Observaba asimismo que esos leones y ese recipiente sagrado, aunque no desautorizados por la Compañía (que no renunciaba al derecho de consultarlos), funcionaban sin garantía oficial.

Esa declaración apaciguó las inquietudes públicas. También produjo otros efectos, acaso no previstos por el autor. Modificó hondamente el espíritu y las operaciones de la Compañía. Poco tiempo me queda; nos avisan que la nave está por zarpar; pero trataré de explicarlo.

Por inverosímil que sea, nadie había ensayado hasta entonces una teoría general de los juegos. El babilonio no es especulativo. Acata los dictámenes del azar, les entrega su vida, su esperanza, su terror pánico, pero no se le ocurre investigar sus leyes laberínticas, ni las esferas giratorias que lo revelan. Sin embargo, la declaración oficiosa que he mencionado inspiró muchas discusiones de carácter jurídico-matemático. De alguna de ellas nació la conjetura siguiente: Si la lotería es una intensificación del azar, una periódica infusión del caos en el cosmos ¿no convendría que el azar interviniera en todas las etapas del sorteo y no en una sola? ¿No es irrisorio que el azar dicte la muerte de alguien y que las circunstancias de esa muerte la reserva, la publicidad, el plazo de una hora o de un siglo--no estén sujetas al azar? Esos escrúpulos tan justos provocaron al fin una considerable reforma, cuyas complejidades (agravadas por un ejercicio de siglos) no entienden sino algunos especialistas, pero que intentaré resumir, siquiera de modo simbólico.

Imaginemos un primer sorteo, que dicta la muerte de un hombre. Para su cumplimiento se procede a un otro sorteo, que propone (digamos) nueve ejecutores posibles. De esos ejecutores, cuatro pueden iniciar un tercer sorteo que dirá el nombre del verdugo, dos pueden reemplazar la orden adversa por una orden feliz (el encuentro de un tesoro, digamos), otro exacerbará la muerte (es decir la hará infame o la enriquecerá de torturas), otros pueden negarse a cumplirla... Tal es el esquema simbólico. En la realidad el número de sorteos es infinito. Ninguna decisión es final, todas se ramifican en otras. Los ignorantes suponen que infinitos sorteos requieren un tiempo infinito; en realidad basta que el tiempo sea infinitamente subdivisible, como lo enseña la famosa parábola del Certamen con la Tortuga. Esa infinitud condice de admirable manera con los sinuosos números del Azar y con el Arquetipo Celestial de la Lotería, que adoran los platónicos... Algún eco deforme de nuestros ritos parece haber retumbado en el Tíber: Elio Lampridio, en la Vida de Antonino Heliogábalo, refiere que este emperador escribía en conchas las suertes que destinaba a los convidados, de manera que uno recibía diez libras de oro y otro diez moscas, diez lirones, diez osos. Es lícito recordar que Heliogábalo se educó en el Asia Menor, entre los sacerdotes del dios epónimo.

También hay sorteos impersonales, de propósito indefinido: uno decreta que se arroje a las aguas del Éufrates un zafiro de Taprobana; otro, que desde el techo de una torre se suelte un pájaro; otro, que cada siglo se retire (o se añada) un grano de arena de los innumerables que hay en la playa. Las consecuencias son, a veces, terribles.

Bajo el influjo bienhechor de la Compañía, nuestras costumbres están saturadas de azar. El comprador de una docena de ánforas de vino damasceno no se maravillará si una de ellas encierra un talismán o una víbora; el escribano que redacta un contrato no deja casi nunca de introducir algún dato erróneo; yo mismo, en esta apresurada declaración, he falseado algún esplendor, alguna atrocidad. Quizá, también, alguna misteriosa monotonía... Nuestros historiadores, que son los más perspicaces del orbe, han inventado un método para corregir el azar; es fama que las operaciones de ese método son (en general) fidedignas; aunque, naturalmente, no se divulgan sin alguna dosis de engaño. Por lo demás, nada tan contaminado de ficción como la historia de la Compañía... Un documento paleográfico, exhumado en un templo, puede ser obra del sorteo de ayer o de un sorteo secular. No se publica un libro sin alguna divergencia entre cada uno de los ejemplares. Los escribas prestan juramento secreto de omitir, de interpolar, de variar. También se ejerce la mentira indirecta.

La Compañía, con modestia divina, elude toda publicidad. Sus agentes, como es natural, son secretos; las órdenes que imparte continuamente (quizá incesantemente) no difieren de las que prodigan los impostores. Además ¿quién podrá jactarse de ser un mero impostor? El ebrio que improvisa un mandato absurdo, el soñador que se despierta de golpe y ahoga con las manos a la mujer que duerme a su lado ¿no ejecutan, acaso, una secreta decisión de la Compañía? Ese funcionamiento silencioso, comparable al de Dios, provoca toda suerte de conjeturas. Alguna abominablemente insinúa que hace ya siglos que no existe la Compañía y que el sacro desorden de nuestras vidas es puramente hereditario, tradicional; otra la juzga eterna y enseña que perdurará hasta la última noche, cuando el último dios anonade el mundo. Otra declara que la Compañía es omnipotente, pero que sólo influye en cosas minúsculas: en el grito de un pájaro, en los matices de la herrumbre y del polvo, en los entresueños del alba. Otra, por boca de heresiarcas enmascarados, que no ha existido nunca y no existirá. Otra, no menos vil, razona que es indiferente afirmar o negar la realidad de la tenebrosa corporación, porque Babilonia no es otra cosa que un infinito juego de azares.

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Por Samir Gorsky


As pessoas entram em orbita em torno de suas vivências. Eis uma definição para a rotina. Assim os problemas são sempre os mesmos...aprende-se por um tempo para em seguida esquecer-se. O processo se repete quase sem alteração como a aspiral Hegeliana. Temos uma visão do infernos tal qual os gregos o pintava. O ciclo infinito e sem alterações (como a pedra que sempre rola montanha abaixo ou o passaro que diariamente come o fígado) Porém o divino e o infernal são polos diferentes de uma mesma configuração. Em ambos os casos temos o cíclico que se aproxima do estático. A diferença entre o paraíso e o inferno é a diferença do conteúdo do ciclo. O ciclo vicioso é o inferno e o ciclo virtuoso é o paraíso. Neste ponto existe uma junção entre as várias ideologias concorrentes: "pagãos e cristãos dão as mãos". Para Platão era digno dos deuses que eles andassem em círculos pois assim estariam de acordo com a sua perfeição. Dante Alighieri, pintou céu, inferno e purgatório com círculos e cantos simétricos. Salvador Dalí fez sua leitura do fato pintando 99 quadros para o texto do poeta (33 para cada parte do universo). Porém voltemos para o cotidiano. Aqui os problemas se repetem pois o que é aprendido também é esquecido. Se o ciclo for quebrado, então o progresso entra em marcha. Para que percebamos o movimento é necessário o aparentemente inalterado.

Trabalhos em filosofia e lógica

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GORSKY, Samir. A Semântica algébrica para as lógicas modais e seu interesse filosófico. Dissertação de mestrado. UNICAMP, 2008


GORSKY, Samir. Semântica Algébrica Para as Lógicas Modais. (Slides da apresentação no Symposium Internacional Principia - (09/08/2007) Florianópolis - SC)


GORSKY, Samir. Lógicas da Inconsistência Formal - Introdução (Slides da apresentação na disciplina Lógicas Não-clássicas (10/04/2007) UNICAMP - Campinas - SP)


GORSKY, Samir. Alguns sistemas multimodais alético-temporais (Slides da apresentação na ANPOF (26/10/2006) Salvador - BA)


GORSKY, Samir. Lukasiewicz, bivalência e verofuncionalidade (Slides apresentados no seminário CLE-UNICAMP 29/08/2006)


GORSKY, Samir. Lukasiewicz, bivalência e verofuncionalidade (Texto apresentado em seminário no CLE-UNICAMP 29/08/2006)


GORSKY, Samir. Completude e Incompletude dos Sistemas Modais Normais (Texto apresentado em seminário no CLE-UNICAMP 24/05/2006)


GORSKY, Samir. Sistemas Aristotélicos e Diodoréios (Artigo Aceito para o XIV encontro Nacional de Lógica(XIV EBL))


GORSKY, Samir. O Teorema De Lindström (Texto que eu apresentei em seminário na UNICAMP)


GORSKY, Samir. Alguns sistemas modais fracos. Monografia. Unb 2003.


GORSKY, Samir. Escritos Filosóficos (Coletânea de trabalhos acadêmicos 1999-2006)


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Teoria da surpresa

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Por Samir Gorsky


O conceito de surpresa é central sobre o processo sensitivo, de adaptação, de aprendizagem, de atenção e de tomada de decisão. Não há ainda acordo sobre métodos para se quantificar a surpresa. Pesquisas concentram-se principalmente na observação sobre o comportamento de determinados neurônios em sistemas complexos. Há todavia uma interessante definição Bayesiana de surpresa formulada por Pierre Baldi da Universidade da Califórnia e que necessita, para ser consistente, de um mínimo de hipósteses axiomáticas. A surpresa Bayesiana quantifica como dados afetam observadores naturais ou artificiais através da mensuração da diferença entre as crenças anteriores e as posteriores dos observadores. Através desta estrutura pesquisadores da área fizeram testes para saber se seres humanos orientam suas atenções, enquanto assistem tv, para objetos que são capazes de causar surpresa.

Referências

Formal Bayesian Theory of Surprise Home Page

A Computational Theory of Surprise

A bayesian approach to the philosophy of inference


Thomas Hobbes e a teoria da gargalhada

CLUES, CUES AND COMPLEXITY: UNPACKING THE CONCEPT OF ORGANIZATIONAL SURPRISE


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Thaumas - Referências

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Por Samir Gorsky

Thaumas é a divindade relacionada ao sentimento de admiração. Uma das principais referências que temos é a de Platão que, no Teeteto, afirma ser adequada a genealogia que relaciona a filosofia a Thaumas.

O presente texto tem por objetivo listar as referências gregas à Thaumas.

Thaumas, Antos: Teogonia de Hesíodo 235, 265, 780 e Platão, Teeteto 155d.

Thaumatzo, pode ser traduzido como admiração. Em francês são usados “s’étonner”, “voir avec étonnement”, “admiration”, “admirer”, “vénérer”, “honorer”.

Encontrado em:

Homére. Poète épique, vers 850 av. J. C. [Ed. De La Roche, 1867-76; A. Nuck, 1874-77; Christ, 1884; Ameis-Hentze, 1877-88, ET Cauer, 1886-87; P. Mazon, V. Bérard, C. Budé]. Ilíada 24, 394.

Hérodote, d’helicarnasse historien, 5ª s. av. J. C. : fragments [Ed. Müller. Frag. Hist. Gr., 1839-57]. 1,68.

Em plutarco temos a seguinte passagem, que traduzido do grego para o francês fica assim "ne s'étonner de rien" significando em português "não surpreende em nada" (Cf. PLUTARQUE, de Chéronée, Philosophe et biographe, de 46 apr. J. C. à 126 env. [éd. Vies Parallèles, Im Bekker, 1855-57; Flacerière, C. Budé Morales de Fr. Lübner, 1846-55, Didot] Morales, 44b.)

Em Isocrates, Archid há uma passagem que trata de admiração sobre um gênero de pessoas "admirer ceux qui veulent". Em Tucidites sobre um gênero de fatos, Historiador ateniense, em seu livro sobre a guerra do Peloponeso 4, 85 e 7, 63.

La taumaturgia (parola formata a partire dal greco θαῦμα thaûma, tema thaumat-, "miracolo" e ἔργον érgon "lavoro") è un ramo della religione che si occupa dei prodigi e dei miracoli. (ver Platão, Leis 675a)

Alcuni preferiscono distinguere la taumaturgia dalla teurgia che si occupa dei miracoli in senso stretto, cioè prodigi a carattere religioso e non magico.

Questa differenza rimane molto sottile, se non fine a se stessa: infatti non si può dimenticare l'importanza che ha, per la religiosità popolare come per la Chiesa cristiana, la facoltà del santo di essere anche taumaturgo.[1]

Inoltre rispondono a questo appellativo i re detti "taumaturghi", cioè capaci di fare miracoli, i re francesi (dai merovingi alla rivoluzione) e i re inglesi (dai normanni alla guerra delle due rose).


Bibliografia

BAILLY, A. Dictionnaire grec-français - Rédigé avec le concurs de E. Egger.. Librairie Hachette, Paris 1950.

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Lévi-strauss, o poder do mito

Morto no sábado 31, em Paris, à véspera de completar 101 anos, Claude Lévi-Strauss foi um dos maiores pensadores do século findo. Concluída a descoberta evolucionista de Charles Darwin, nos anos oitocentos, e tendo Karl Marx esquadrinhado o funcionamento das sociedades industriais, Lévi-Strauss uniu a linguística e a antropologia para detectar as estruturas invisíveis que determinam a vida social. O estruturalismo foi a marca de seu pensamento. Para ele, o real tinha uma construção invisível, que era preciso decifrar.

Nascido em 1908 na Bélgica, de pais franceses de origem judaica, Lévi-Strauss concebeu grandes sínteses intelectuais inspirado no modelo das partituras de música, lembra François Dosse em História do Estruturalismo. Descendente de um bisavô violinista, pai e tios pintores, passou a adolescência pelos antiquários até que a família comprou uma casa nas montanhas de Cévennes. Encantado a ponto de ali fazer caminhadas de quinze horas, ele percebeu que a arte não era mais sua paixão exclusiva. A natureza o acompanhava.

Por trás de um violino bem tocado, Lévi-Strauss compreendia haver o suor matemático, a estrutura de uma combinação de ritmo e sons. Para um fenômeno natural, impunha-se uma explicação ainda mais complexa. Embora inspirado pela arte, ele construiu sistemas lógicos para explicar o mundo da natureza e da cultura. Reivindicava exatidão para as ciências humanas.

As realidades o deixavam inquieto. Leu Marx aos 17 anos, O Capital fascinou-o. Em 1928 foi eleito secretário-geral da Federação dos Estudantes Socialistas. Era um pacifista, mas a guerra chegou à Europa, a sensação de derrota prevaleceu sobre a do engajamento e ele nunca mais pisou no caixote das reivindicações. Nos anos 70, disse ter descoberto ser perigoso “encerrar as realidades políticas no quadro de ideias formais”. Em vez de olhar para o futuro, escolheu investigar o passado, em busca de entender por que nos tornamos o que somos.

Em depoimento ao jornal italiano Corriere Della Sera na quarta-feira 4, Bernard-Henri Lévy, conhecido pela militância no Maio de 68 francês, lembra o grande escritor que havia em Lévi-Strauss, e também o gênio sem o qual pensadores como Michel Foucault, Gilles Deleuze ou Giorgio Agamben jamais existiriam. Mas faz uma ressalva. Ele deixara de vivenciar por inteiro a intelectualidade ao abdicar do direito, quiçá do dever, de intervir pela mudança social.

O raciocínio causa estranhamento, já que a intervenção de Lévi-Strauss em seu tempo fora de outra ordem, holista, unindo várias áreas do saber humano em busca de compreender as organizações sociais. Seus antecessores detectavam em um grupo humano o que lhe era peculiar, não universal. Era um tempo em que as noções de primitivo causavam um interesse espetacular nos modernos, interessados em distinguir suas linhagens daquelas ditas arcaicas. Lévi-Strauss inseriu o selvagem no jogo da civilização e o assemelhou de forma impressionante a todos os outros homens. E este pensamento não seria político também?

Ele estudou filosofia e se tornou apto a ensinar em 1930, “como um zumbi”. Quando, em 1934, o diretor da Escola Normal Superior lhe apresentou a candidatura a professor da nascente Universidade de São Paulo, Lévi-Strauss não hesitou. O diretor Célestin Bouglé lhe dissera que, durante os fins de semana, o filósofo poderia encontrar índios nos subúrbios de São Paulo, algo que já não correspondia à realidade. Aqui chegado, ele observaria a gente comum e a intelectualidade por dois anos, até que, seguro em economias, fosse aos nhambiquaras pela Expedição do Norte, em 1938.

Anos depois, em 1955, ele escreveu Tristes Trópicos para contar essa e muitas outras experiências, num relato de viagem híbrido, que incorporava à narrativa fatos encadeados pelo livre exercício da memória. “Odeio as viagens e os exploradores” são as primeiras palavras de seu livro, monumental pela excelência da escrita, inusual ao fugir das questões antropológicas por ele discutidas naquele momento, envolvendo mito e parentesco. Por muitos anos, essa narrativa foi armazenada nas seções de guias turísticos das livrarias, elas que se habituaram ao exótico como eterna celebração.

“Sua observação do Brasil no livro é muito singular”, crê a doutora em História Social Luciana Murari, autora de Natureza e Cultura no Brasil. “Para os estudiosos da vida intelectual brasileira, Tristes Trópicos reflete, inconscientemente, algumas das percepções que os próprios letrados brasileiros tinham ao deparar com as paisagens lúgubres do interior, a natureza conspurcada, o sentido de comunidade corrompido.”

Ao relembrar o Brasil, o livro deplora as elites intelectuais em passagens nas quais elas se autoproclamam peculiares, enquanto ele as vê típicas. Para Lévi-Strauss, o Brasil esmagado pela inação, pelo desrespeito à sua grandeza primitiva, era único, por exemplo, nas incríveis variações de verde das folhagens de Ubatuba.

Não teria sido feita no Brasil sua revolução intelectual, mas nos Estados Unidos, para onde se mudou, iniciada a perseguição nazista em 1939. Ali foi aconselhado a mudar seu nome para Claude L. Strauss, a fim de evitar a confusão com a marca de calças. “É raríssimo passar-se um ano sem que eu receba, em geral da África, uma encomenda de jeans”, dizia. Ele, que descobrira nas relações de parentesco um padrão de universalidade, encontrou-se no país com outro exilado, Roman Jakobson, que adotara a ideia de sistema para detectar uma regularidade em todas as línguas. Do desenvolvimento conjunto dessas ideias debatidas nasceria a antropologia estrutural, expressão que intitularia seu clássico de 1958.

Durante sua longa vida, Lévi-Strauss suscitou polêmica, e também entusiasmos, a ponto de o treinador da seleção de futebol da França anunciar, nos anos 1960, uma organização estruturalista de sua equipe, a fim de melhorar os resultados. Estruturar saía da academia para ganhar o sentido de desvendar. Mas, se os sábios desvendam, cutucam feridas. Por muitos anos, o intelectual que mais jeans ganhara em vida se viu responsável pela pecha de excessivamente críticos atribuída aos franceses.

Por Roseane Pavan

O incômodo da filosofia

"Um filósofo pensando incomoda muita gente
Um filósofo falando incomoda muito mais"

Samir Gorsky

O que é a filosofia?

Por Samir Gorsky

Newton foi um grande brincalhão... Uma de suas brincadeiras mais interessantes foi a escolha do título de sua principal obra: Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Genial!!! O fato de escolher o termo “filosofia natural” endossou ainda mais a questão da definição do termo “filosofia”.
Em dois dias (de ontem para hoje 23/02/2005) li em três lugares diferentes sentenças referentes à inquietação dos autores em relação à escolha de Newton (um artigo sobre filosofia analítica de François Recanati, um texto sobre o tempo de T. Fraser e agora a pouco um texto de Ivo Korytowski).
De fato podemos questionar se o conteúdo da obra de Newton é realmente filosófico ou não e dada esta questão poderíamos responder que tal título é válido.
Coloquemos então uma outra pergunta a partir da resposta afirmativa à questão da adequação do título da citada obra:
Podemos considerar o conteúdo de tal obra como sendo filosofia ainda nos dias de hoje?
A pergunta acima é equivalente a questão do desenvolvimento da filosofia. O não desenvolvimento filosófico, ou seja, o fato de que a filosofia não anda é uma das visões sobre a filosofia que tem sido muito disseminada. A pergunta, portanto, é equivalente a questão do desenvolvimento filosófico, pois diferentes respostas a ela, leva a diferentes considerações sobre o desenvolvimento filosófico. Com efeito, supondo que algo seja considerado filosofia em uma determinada época e que seja a filosofia algo não “evoluível” teremos então duas possibilidades: 1) A filosofia regride (torna-se mais estrita). 2) O âmbito da filosofia permanece.

De acordo com 2) Léon Brunschvicg (1869 - 1941), notável filósofo do neocriticismo, defendeu em sua obra O idealismo contemporâneo (1905) que não cabe à filosofia aumentar a quantidade do saber, já que esta nada mais é do que a reflexão sobre a qualidade do saber. Todavia, o saber humano está em contínuo desenvolvimento e por esta razão Brunschivicg definiu a história do saber humano como "laboratório da filosofia".

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Reflexões e formalizações acerca do paradoxo do exame surpresa

Quarta-feira, 10 de junho de 2009, 17h
Local: Auditório do CLE-UNICAMP

Resumo: Michel Scriven publicou em 1951 no periódico britânico de filosofia Mind um artigo em que descrevia uma determinada situação considerada paradoxal. Este paradoxo ficou conhecido como Paradoxo do Exame Surpresa. O artigo possui a seguinte sentença inicial: "A NEW AND POWERFUL PARADOX has Come to light". Desde sua publicação o artigo rendeu muitas pesquisas e comentários de importantes filósofos. As tentativas de solucionar este enigma (puzzle) são bastante divergentes umas das outras. Isso mostra que o problema relatado é mais complexo do que parece, portanto uma maior atenção deve ser dada a ele tal como O'Connor escreveu em seu artigo "It is worthwhile for philosophers to pay a little more attention to these puzzles than they have done up to now even if their scrutiny does no more than make a little clearer the ways in which ordinary language can limit and mislead us" (O'CONNOR. Pragmatic Paradoxes). O presente seminário tem como objetivo apresentar, discutir e revisar versões, comentários e análises sobre o paradoxo do enforcado ou, como é mais conhecido, o paradoxo do exame surpresa.



Referências:





Chapman JM, Butler RJ. One Quine's so-called paradox. Mind 74 1965 pp. 424-425



Fitch F. A Gödelized formulation of the prediction paradox. American Philosophical Quarterly 1 1964 pp. 161-16



Gardner M. A new prediction paradox. British Journal for the Philosophy of Science 13 1962 p. 51



Gardner, M. The Unexpected Hanging and Other Mathematical Diversions, University Of Chicago Press; Reprint edition; 1991.



O'Connor DJ. Pragmatic Paradoxes. Mind 57 1948 pp. 358-359



O'Connor DJ. Pragmatic paradoxes and fugitive propositions. Mind 60 1951 pp. 536-538



Shaw R. The paradox of the unexpected examination. Mind 67 1958 pp. 382-384

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