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O problema da omissão ou ausência de dados no processo de pesquisa científica

Anpof 2012

Samir Gorsky

Abstract:  É comum encontrarmos a ideia de que a informação é constituida dos data mais seus significados. Segundo Floridi (Floridi:2010), a compreensão da natureza dos data pode ser dada através da compreensão dos modelos nos quais esses data são apagados, distorcidos ou perdidos. Suponha um livro escrito com símbolos que não sabemos como interpretar. Em um determinado momento os símbolos que constituem esse livro são apagados até que sobrem apenas páginas em branco. Mesmo nesse caso essas páginas em branco constituem data. A ausência de sinais percebidos pode ser considerado um dado. Essa ausência é informativa desde que seja percebida em contraste com a possibilidade da presença de sinais. Para que haja um destruição efetiva de data é necessário um cenário sem distinção entre a presença e ausência dos dados, ou seja, deve-se eliminar todas as possíveis diferenças existentes entre a presença e ausência dos dados. Portanto, um dado pode ser visto como falta de uniformidade. O presente trabalho tem por objetivo analisar a importância de data negativos ou que sejam produtos da ausência de sinais como fonte de informação no processo de pesquisa científica.

O enigma do elevador

Um homem mora no 17 andar de um edifício normal (comum, etc.) com elevador.

Todos os dias ele desce por elevador ao térreo e vai ao trabalho.

Ao fim da tarde, quando volta do trabalho, ele entra no elevador do edifício onde mora.

Se o dia não é chuvoso e ele está sozinho, então ele sobe de elevador até o 14 andar e sobe os outros três andares de escada.

Se o dia for chuvoso ou ele estiver acompanhado, então ele sobe de elevador até o 17 andar direto.

Questão: Por que esta pessoa tem este comportamento?

Teoria da Incerteza

 Este texto forma parte del libro Ensaios de Economia de Luis Gonzaga da Sousa Para obtener el texto completo para imprimirlo, pulse aquí


A economia moderna está constituída de fragmentos isolados, e auto-evolutivos que geram as desigualdades, as impurezas do sistema econômico, e as individualidades que formam as acumulações, e as concentrações que levam às incertezas da economia como um todo. Não se pode negar que se gostaria de que a economia se movimentasse dentro da ótica da competição perfeita, onde houvesse liberdade de atuação para todos, onde houvesse pleno conhecimento de mercado, e onde o preço fosse determinado pela inter-relação de forças mercadológicas. Essa idéia teve a boa vontade dos teoristas que estudaram a economia, de algum tempo passado, e talvez ela se desenvolvesse um pouco parecida com uma estrutura deste tipo; porém, eles resolveram apresentar um sistema econômico que fosse perfeitamente bem organizado, que servisse de exemplo para economias do futuro, que deveriam caminhar pela trilha da perfeição.

Logos, Informação e Realidade

Quando se enuncia o termo realidade, o que é referenciado de fato é uma teoria
sobre a realidade. Apesar de toda intenção em falar da realidade mesma e não de uma teoria, a realidade não pode ser definida apenas nesta esfera da linguagem que é a linguagem verbal. Nem mesmo parte da realidade pode ser assim determinada. Não podemos falar a realidade (ou o ser), todavia ainda não se deve calar sobre este assunto. É somente pela significação
de nossos termos ou elementos linguísticos-verbais (de sua forma e conteúdo) que podemos concluir que a realidade não se reduz apenas ao que pode ser descrito pela linguagem conceitual. Contudo, a linguagem não é vazia de conteúdo real. Sua semântica, construída cultural-historicamente guarda uma grande quantidade de informação acerca da experiência de
realidade. Pode-se refletir assim que a linguagem conceitual é uma memória cultural e individual com razoável teor estatístico-semântico acerca da totalidade de experiências conscientes culturais e individuais. O objetivo de tamanha construção é obter um ``espelho ideal'' da physis, ou pelo menos de suas estruturas básicas.
A civilização é conduzida neste percurso (leito) linguístico-conceitual de tal forma que qualquer outro ser que não ``fale'' ou compreenda o(s) núcleo(s) lógico(s) da(s) teoria(s) linguística(s) da(s) realidade(s) vigente(s), não poderá participar de nenhum ``jogo'' conceitual-comunicativo com qualquer outro ser racional no sentido desta
comunidade (civilização).

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O conceito de Surpresa em Lógica e em Filosofia e a Estrutura Generalizada da Teoria da Informação

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Seminários CLE

16hs - 24/03/2010 - Sala de Seminários (CLE - UNICAMP)

Por Samir Gorsky

Alguns filósofos defendem que a admiração é o princípio da filosofia. Platão vai um pouco além e chega a afirmar que a admiração é o seu único princípio. "Essa emoção, essa admiração é própria do filósofo; nem tem a filosofia outro princípio além desse; e quem afirmou que Íris é filha de Taumas não errou na genealogia" (PLATÃO, Teeteto, 11, 155 d). Aristóteles concorda com seu mestre. "Devido à admiração os homens começaram a filosofar e ainda agora filosofam: de início começaram a admirar as coisas que mais facilmente sucitavam dúvidas, depois continuaram pouco a pouco a duvidar até das coisas maiores, como por exemplo, das modificações da lua e do que se refere ao sol, às estrelas e à geração do universo. Aquele que duvida e admira sabe que ignora; por isso, o filósofo é também amante do mito, pois o mito consiste em coisas admiráveis." (ARISTÓTELES, Metafísica, I, 2, 982 b 12 ss.). Alguns autores relacionam a surpresa a um tipo de ignorância em uma determinada situação (RUSSELL, 1945 p. 822). Nesse sentido, a surpresa é uma noção epistêmica. Em termos estruturais, pode-se dizer que a surpresa depende da forma como o mundo é supostamente organizado. Ordem e desordem são elementos que comumente são usados para se definir informação, conhecido e desconhecido em um certo sentido. Todavia, não é possível fazer uma abordagem adequada do conceito de surpresa sem levarmos em conta mais um elemento: o inesperado. O conceito de inesperado não pode ser definido apenas a partir do conceito de ignorado. A surpresa serve contudo para nos informar algo sobre o desconhecido.

REFERÊNCIAS

Aristotle. Metaphysics. Oxford University Press, New York, 1993.

L. Floridi. The blackwell Guide to computing and information. Blackwell Publishing Ltd.
Oxford Uk 2004

J. Hintikka On semantic information. In J. Hintikka e P. Suppes, editores, Information
and Inference, D. Reidel Publishing Company, Dordrecht, Holland, 1970.

D. Mundici. Algebras of Ulam's games with lies, In: Proceedings International Congress of the Italian Society for Logic and Philosophy of Science, SILFS , vol. 2, CLUEB, Bologna, 1991, pp. 151-162.

D. Mundici. The logic of Ulam's game with lies, In: Knowledge, Belief and Strategic Interaction , Cambridge Studies in Probability, Induction, and Decision Theory, 1992, pp. 275-284.

Plato. Theaetetus. Focus Philosophical Library. 2004

B. Russell. A history of western philosophy : and its connection with political and social circunstances from the earliest times to the present day. Simon and Schuster, New York, 1945.

Site Pessoal

INFORMAÇÃO SEMÂNTICA

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Samir Gorsky

O uso do termo infomação está frequentemente ligado ao estudo do fenômeno da comunicação. Neste contexto há um forte interesse em sistematizar o que pode ser denominado conteúdo semântico objetivo dfa comunicação. Estes conteúdos podem possuir tamanhos, formas, e valores diversos e é considerado uma referência para a compreensão
do termo informação.

A codificação e a trasmissão de informações também pode ter diferentes tipos de implementação fisicas, porém pode-se argumentar que a existência da informação independe de sua codificação ou transmissão. Por exemplo, o dicionário de filosofia da Cambridge Press define informação da seguinte forma:

"an objective (mind independent) entity. It can be generated or carried by messages (words, sentences)or by other products of cognizers (interpreters) Information can be encoded and transmitted, but theinformation would exist independently of its encoding or transmission."

Informações são constituídas de data. Segundo Floridi (Floridi 1999), os data \delta podem
ser de quatro tipos:

\delta1: Os data primários. São os principais data arquivados em um banco de dados. Normalmente, são sequências núméricas.

\delta2: Os metadata. São propriedades dos data primários que descrevem certas indicações tais como localização, formato, atualização, disponibilidade.

\delta3: Os data operacionais. Estes se referem ao uso dos data, à operações em todo o sistema de data e à sua performace.

\delta4: Os data derivados. Estes data podem ser extraídos dos data \delta1 e \delta3, principalmente quando este último tipo é usado como fonte em pesquisas de padrões, provas ou inferências de evidências. Em geral também podem ser usados em análises comparativas e quantitavivas.

A DGI indica que não pode existir informação sem data, porém isto não mostra que tipos de data \delta são necessários para constituir a informação. Suponha que ao se consultar um banco de dados ou ao se fazer uma pergunta constatou-se a ausência de respostas ou do retorno da pesquisa. Neste caso há duas possibilidades: houve uma falha na busca dos data, e assim, nenhuma informação específica \sigma estará disponível, ou algum data delta pode ser providenciado com o objetivo de mostrar que o processo entrou em um loop. Do mesmo modo, o silêncio a uma resposta pode indicar tanto uma assentimento quanto uma negação. Pode-se ainda derivar disto uma informação não-primária \mi do tipo "a pessoa não escutou a pergunta". Esta "neutralidade tipológica" (NeuTi) é justificada pelo seguinte fato: quando uma aparente ausência de data não pode ser reduzida a uma
ocorrência de data negativos primários, o que se torna disponível como informação é alguma informação não primária \mi adicional sobre \sigma consituído por alguns data não primários dos tipos \delta2 e \delta4.


Referência

FLORIDI, Luciano. The blackwell Guide to computing and information. Blackwell Publishing Ltd. Oxford Uk 2004

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Respostas corretas

...

Por Samir Gorsky

Por que ao darmos a solução para determinados enigmas conseguimos compreender imediatamente que a resposta está correta sem ao menos dar uma conferida?

"Of course, the questions do not necessitate the right
answers, which means that the intended answer is in a sense conjectural. But if
the puzzle is a good one, the natural answer is obvious once the right question
has been asked. Here is an example (Sloane and MacHale, 1996, p. 32):
A man walked into a bar and asked the barman for a glass of water. They had never
met before. The barman pulled a gun from under the counter and pointed it at the
man. The man said “Thank you” and walked out.Why should that be so?"

Hintikka, Jaakko. Socratic Epistemology. P. 56

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A teoria da informação e o enigma da esfinge

...

por Samir Gorsky

Que tipo de raciocínio deve ser usado para se resolver um problema tal qual o enigma da esfinge?
Em termos culturais o enigma pode representar muito mais do que uma simples questão. No caso do enigma da esfinge,
representa a salvação para a cidade de Tebas. O enigma é um divisor de águas dentro do enredo da
tragédia Édipo rei de Sófocles. Sua resolução marca a transição entre a problematização e a resolução dos problemas
produzidos no enredo. A partir dela é que Édipo pode finalmente consumar o seu destino sendo considerado um herói por
ter vencido tal desafio e por ter salvado a cidade. Nomeado rei, tem que se casar com a sua prórpria mãe e por fim
descobrir que não foi possível fugir do destino que as moiras haviam traçado para ele.

O conhecido enigma da esfinge pode ser formulado da seguinte maneira:
"Qual o animal que de manhã anda com quatro patas, à tarde com duas e à noite com três?"
A solução é "o ser humano", pois quando é um bebê (de "manhã") engatinha (4 "patas"), em sua juventude (à tarde)
anda em pé (2 "patas") e na velhice (à "noite") precisa do apoio de uma bengala (três "patas")

Para se resolver este enigma é preciso fazer uso da metáfora ou aceitá-la. Dada a explicação a resolução
torna-se aceitável e correta. Sabe-se porém que, dificilmente, uma máquina seria capaz de computar tal solução.
Assim, é possível construir máquinas que processem metáforas e analogias de tal modo que
possam resolver enigmas como o da esfinge?

Para responder positivamente à pergunta acima é necessário fazer um breve sobrevoo acerca da teoria da informação.

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