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Paradoxo do exame surpresa: argumento cético

Pode-se explicar a falácia do argumento dos alunos no paradoxo do exame surpresa sustentando-se que eles não podem saber, mesmo na quinta feira, se haverá ou não exame na sexta. Este argumento é descrito por Jonathan Dancy no livro Epistemologia contemporânea p. 25. da seguinte maneira:

"O argumento a partir do erro expõe as consequências desta abordagem para a epistemologia. Suponhamos que eu afirmei ontem que sabia que iria chover à tarde, pelos motivos normais (previsão do tempo, ajuntamento de nuvens, etc.), mas que afinal estava enganado. No momento da minha afirmação, o facto de que não ia chover transcendia a evidência, tal como deviam ser todas as afirmações acerca do futuro. E isto quer dizer que, se pelos mesmos motivos eu afirmar hoje que sei que choverá à tarde, devo continuar a declarar que sabia ontem que choveria nesta tarde (a despeito da evidência). Se, por outro lado, abandonar a minha afirmação de ter conhecido ontem, não posso fazer a afirmação de que sei hoje. Pois o único fato que justificaria tal diferença de declaração é um fato que não é acessível; os fatos acerca do tempo que fará à tarde são transcendentes à evidência da manhã. Consequentemente, a minha aceitação de que ontem eu não sabia impede-me de afirmar o conhecimento hoje."

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O que é a filosofia?

Por Samir Gorsky

Newton foi um grande brincalhão... Uma de suas brincadeiras mais interessantes foi a escolha do título de sua principal obra: Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Genial!!! O fato de escolher o termo “filosofia natural” endossou ainda mais a questão da definição do termo “filosofia”.
Em dois dias (de ontem para hoje 23/02/2005) li em três lugares diferentes sentenças referentes à inquietação dos autores em relação à escolha de Newton (um artigo sobre filosofia analítica de François Recanati, um texto sobre o tempo de T. Fraser e agora a pouco um texto de Ivo Korytowski).
De fato podemos questionar se o conteúdo da obra de Newton é realmente filosófico ou não e dada esta questão poderíamos responder que tal título é válido.
Coloquemos então uma outra pergunta a partir da resposta afirmativa à questão da adequação do título da citada obra:
Podemos considerar o conteúdo de tal obra como sendo filosofia ainda nos dias de hoje?
A pergunta acima é equivalente a questão do desenvolvimento da filosofia. O não desenvolvimento filosófico, ou seja, o fato de que a filosofia não anda é uma das visões sobre a filosofia que tem sido muito disseminada. A pergunta, portanto, é equivalente a questão do desenvolvimento filosófico, pois diferentes respostas a ela, leva a diferentes considerações sobre o desenvolvimento filosófico. Com efeito, supondo que algo seja considerado filosofia em uma determinada época e que seja a filosofia algo não “evoluível” teremos então duas possibilidades: 1) A filosofia regride (torna-se mais estrita). 2) O âmbito da filosofia permanece.

De acordo com 2) Léon Brunschvicg (1869 - 1941), notável filósofo do neocriticismo, defendeu em sua obra O idealismo contemporâneo (1905) que não cabe à filosofia aumentar a quantidade do saber, já que esta nada mais é do que a reflexão sobre a qualidade do saber. Todavia, o saber humano está em contínuo desenvolvimento e por esta razão Brunschivicg definiu a história do saber humano como "laboratório da filosofia".

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O PRODUTO DA CRIAÇÃO COMO SOLUÇÃO PARA ALGUM PROBLEMA

Por Samir Gorsky

Esta é a tese: Tudo que é criado resolve algum problema.
Um artista cria uma obra. Que tipo de problema ele quer resolver? Simples. Ele quer resolver o seguinte problema: Como expressar determinado sentimento? Também existe a possibilidade do artista querer causar uma determinada impressão. Neste caso temos: Como causar determinada impressão?
Qual o problema que Deus tentou resolver com a criação do mundo?
Eu acredito que tenha sido o problema do tédio. Tédio esse causado pelo nada profundo de sua existência. Todavia o mundo expressa um nada também. Mas é um nada mais superficial. É um nada, pois não sabemos nada a respeito das intenções de Deus. Apenas fazemos conjecturas. A arte, portanto, é a solução para a angústia da existência. Platão tinha razão quando confabulou que o mundo teria sido produto da arte de algum demiurgo.
Logo, seja para fugir do tédio como para expressar sentimentos ou outras querelas mais práticas, o produto de nossa criação sempre tem como objetivo a solução de algum problema.

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Reflexões e formalizações acerca do paradoxo do exame surpresa

Quarta-feira, 10 de junho de 2009, 17h
Local: Auditório do CLE-UNICAMP

Resumo: Michel Scriven publicou em 1951 no periódico britânico de filosofia Mind um artigo em que descrevia uma determinada situação considerada paradoxal. Este paradoxo ficou conhecido como Paradoxo do Exame Surpresa. O artigo possui a seguinte sentença inicial: "A NEW AND POWERFUL PARADOX has Come to light". Desde sua publicação o artigo rendeu muitas pesquisas e comentários de importantes filósofos. As tentativas de solucionar este enigma (puzzle) são bastante divergentes umas das outras. Isso mostra que o problema relatado é mais complexo do que parece, portanto uma maior atenção deve ser dada a ele tal como O'Connor escreveu em seu artigo "It is worthwhile for philosophers to pay a little more attention to these puzzles than they have done up to now even if their scrutiny does no more than make a little clearer the ways in which ordinary language can limit and mislead us" (O'CONNOR. Pragmatic Paradoxes). O presente seminário tem como objetivo apresentar, discutir e revisar versões, comentários e análises sobre o paradoxo do enforcado ou, como é mais conhecido, o paradoxo do exame surpresa.



Referências:





Chapman JM, Butler RJ. One Quine's so-called paradox. Mind 74 1965 pp. 424-425



Fitch F. A Gödelized formulation of the prediction paradox. American Philosophical Quarterly 1 1964 pp. 161-16



Gardner M. A new prediction paradox. British Journal for the Philosophy of Science 13 1962 p. 51



Gardner, M. The Unexpected Hanging and Other Mathematical Diversions, University Of Chicago Press; Reprint edition; 1991.



O'Connor DJ. Pragmatic Paradoxes. Mind 57 1948 pp. 358-359



O'Connor DJ. Pragmatic paradoxes and fugitive propositions. Mind 60 1951 pp. 536-538



Shaw R. The paradox of the unexpected examination. Mind 67 1958 pp. 382-384

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Algebraic Semantics for modal logics





Por Samir Gorsky

In XX century we had a considerable advance on the understanding of the formal meaning of modalities. The Jónsson, McKinsey and Tarski works in fourties enabled the construction of the results of algebraic completeness for the modal systems. In fifties Kripke proposed a interesting semantic for these systems. Such semantics, today known as possible world's semantics, or Kripke's semantics, caused a great impact in the context of analytical philosophy. Articles written by Lemmon in the decade of 60 are supposed to present a synthesis of these two semantics, the algebraic semantic and the possible world's semantic. One interesting result shown in these articles is that the semantic completeness can be inferred from algebraic results through a central theorem. One of the most surprising and interesting results in the paper of Lemmon is the theorem of representation for modal algebras. This theorem of representation for the modal algebra is as a result the connection between the point of view and algebraic point of view of the semantics of possible worlds (or Kripke's semantics). The initial objective of the present work was to extend this same result for algebraic systems of Class Gmnpq proposed by Lemmon and Scott in the ``Lemmon notes''. We argue that the algebraic semantic for modal logic can serve as a basis for answers to the various criticisms directed to the development of modal logic. We'll show, finally, that the algebraic semantics, as a semantics that does not use the concept of possible worlds, may be deemed useful by supporters of modal antirealism.


References



[Carnielli e Coniglio 2003] CARNIELLI, Walter Alexandre; CONIGLIO, M. E. Splitting Logics. In: Serguei Artemov; Howard Barringer; Artur Garcez; Luis Lamb; John Woods. (Org.). We Will Show Them! Essays in Honour of Dov Gabbay. 1 ed. Londres: College Publications, 2005, v. 1, p. 389-414.


[Carnielli e Pizzi 2000] CARNIELLI, A. e PIZZI, C. Modalitá e Multimodalitá, (Milão 2000).


[Goldblatt 1976] GOLDBLATT. R.I.. Metamathematics of modal logic. Reports on Mathematical. Logic, 6:4177, 1976.


[Halmos 1955] HALMOS. P.R. Algebraic logic. Compositio Mathematica, 12:217249, 1955.


[Kripke 1959a] KRIPKE. Saul A. Semantic analysis of modal logic (abstract). The Journal of Symbolic Logic, 24:323324, 1959.


[Kripke 1959b] KRIPKE. Saul A. A completeness theorem in modal logic. The Journal of Symbolic Logic, 24:114, 1959.


[Kripke 1963] KRIPKE. Saul A. Semantical analysis of modal logic I. Normal modal prepositional calculi. Zeitschrift für Mathematische Logik und Grundlagen der Mathematik, 9:6796, 1963.


[Lemmon 1960] LEMMON, E. J. Extension Algebra and the Modal System T. In Notre Dame Journal of Formal Logic, Vol. 1 (1960), pp. 3-12.


[Lemmon 1966] LEMMON, E. J. Algebraic semantics for modal logics I and II. The Journal of symbolic logic. Vol. 31, Number 1, June 1965. Volume 31, Number 2, June 1966.


[Lemmon 1977] LEMMON. E. J. An Introduction to Modal Logic, volume 11 of American Philosophical Quarterly Monograph Series. Basil Blackwell, Oxford, 1977. Written in collaboration with Dana Scott. Edited by Krister Segerberg.


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